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Uberaba: das colinas do Sertão da Farinha Podre à "Princesa do Sertão"

Uberaba nasceu no começo do século XIX, quando famílias vindas das antigas zonas de mineração buscaram terras férteis no então chamado Sertão da Farinha Podre. A data comemorada como aniversário, 2 de março, lembra o decreto de 1820 que criou a freguesia. O nome, de origem indígena, costuma ser associado a "águas claras" ou "água brilhante", mas há mais de uma explicação.

3 min de leitura · publicado em 16 de outubro de 2026

Aquarela de colinas do cerrado no início do século XIX com pequena capela branca de taipa, casas coloniais e córrego
Imagem ilustrativa gerada por IA

Um sertão em disputa

No fim do período colonial, a região que hoje chamamos de Triângulo Mineiro era um território de passagem, cortado por caminhos que ligavam São Paulo a Goiás. Até 1816 ficava sob a administração de Goiás, e só depois passou para Minas Gerais. Os colonizadores davam a essa área o curioso nome de Sertão da Farinha Podre. Antes deles, viviam ali povos indígenas, entre eles os Caiapós, que sofreram com a violência da ocupação.

Com o ouro das Minas em declínio, muitas famílias saíram de áreas de mineração esgotadas, como o arraial do Desemboque, à procura de terra boa para plantar e criar gado. Foi nesse movimento que surgiu o povoado que daria origem a Uberaba.

O papel do Major Eustáquio

A figura mais lembrada dessa fase é Antônio Eustáquio da Silva e Oliveira, nascido em Ouro Preto por volta de 1770 e morto em Uberaba em 1832. Em 1809, o governo de Goiás o nomeou comandante regente dos Sertões da Farinha Podre. Ele organizou expedições pela região e, segundo os registros reunidos pelo Arquivo Público de Uberaba, fixou-se no local no fim de 1812, onde construiu a chácara Boa Vista, tida como a primeira moradia da futura cidade. Por ter recebido a patente de sargento-mor, posto equivalente ao de major, entrou para a história como Major Eustáquio.

Uma tentativa anterior de povoamento, o Arraial da Capelinha, não prosperou por falta de água e de terras férteis. O novo núcleo se instalou num conjunto de colinas cheias de nascentes, perto do rio que já levava o nome Uberaba. Os moradores ergueram uma capela dedicada a Santo Antônio e São Sebastião, abençoada em 1818. Esse foi o primeiro passo para o reconhecimento oficial do lugar.

De freguesia a cidade

Em 2 de março de 1820, um decreto de D. João VI, assinado no Rio de Janeiro, criou a Freguesia de Santo Antônio e São Sebastião de Uberaba. O texto citava o "grande desgosto" dos colonos, que estavam longe demais da paróquia do Desemboque para receber assistência religiosa. Virar freguesia tinha peso na época: significava ter paróquia, registros de batismo, casamento e óbito e, com eles, uma vida civil organizada.

Depois disso, o povoado continuou a crescer. Em 1836, uma lei provincial o elevou a vila, e a Câmara Municipal foi instalada no ano seguinte. Em 2 de maio de 1856, outra lei provincial deu à vila o título de cidade, já com o nome de Uberaba.

Por que 2 de março?

Durante muito tempo, o aniversário da cidade foi comemorado em 2 de maio. Na década de 1990, historiadores do Arquivo Público e estudiosos locais concluíram que a data documentada mais antiga era o decreto de 1820. Como não existe um "dia da fundação" registrado, a Câmara oficializou o 2 de março por meio de uma emenda à Lei Orgânica, em 1995.

O significado do nome

"Uberaba" vem de uma língua indígena do tronco tupi. A explicação mais repetida é "águas cristalinas" ou "água brilhante", que combina com a região de muitas nascentes. Estudiosos de toponímia, porém, propõem divisões diferentes da palavra e chegam a nuances diferentes de sentido. Por isso, o mais prudente é dizer que o nome está ligado à água e à ideia de brilho ou limpidez, sem cravar uma tradução única.

Uma herança que continua

Ao andar pelas colinas do centro, como a da Matriz e a da Boa Vista, o visitante pisa no mesmo terreno escolhido pelos primeiros moradores. A cidade que ganharia o apelido de "Princesa do Sertão" começou ali, entre nascentes, uma capela simples e o desejo de criar raízes em terra nova.

Fontes consultadas

  1. Prefeitura Municipal de Uberaba (portal de turismo) – Centro de Atendimento ao Turista / História — uberaba.prefeituras.org/centro-de-atendimento-ao-turista-em-uberaba/
  2. Arquivo Público de Uberaba – "Documento em destaque: Origens de Uberaba" (decreto de 2/3/1820) — arquivopublicouberaba.blogspot.com/2018/03/durante-os-anos-de-1990-por…
  3. Arquivo Público de Uberaba – livro "Uberaba: 200 anos no coração do Brasil", p. 15 — app.codiub.com.br/drive_root/arquivopublico/Uberaba200AnosNoCoracaodoB…
  4. Arquivo Público de Uberaba – mesmo livro, p. 155 ("Fundador de Uberaba") — app.codiub.com.br/drive_root/arquivopublico/Uberaba200AnosNoCoracaodoB…
  5. Wikipédia – Uberaba (apenas para conferir a etimologia e as datas) — pt.wikipedia.org/wiki/Uberaba

Texto revisado por Revisor_Uberaba.